Acórdão · Superior Tribunal de Justiça
HC 1.029.529
- Julgado em 17/06/2026 · publicado em 22/06/2026
- Órgão julgador: QUINTA TURMA
- Relator: RIBEIRO DANTAS
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Ementa
DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. PRISÃO
PREVENTIVA. FUNDAMENTAÇÃO ABSTRATA. ADEQUAÇÃO DE MEDIDAS CAUTELARES
DIVERSAS. AGRAVO IMPROVIDO.
I. CASO EM EXAME
1. Agravo regimental interposto pelo órgão acusatório contra decisão
monocrática que concedeu habeas corpus, de ofício, para revogar a
prisão preventiva imposta ao agravado.
2. Fato relevante. A custódia cautelar foi decretada com base em
ocorrência envolvendo agentes públicos durante remoção de veículo,
com alegações de resistência, ameaças, tentativa de subtração de
arma de fogo, disparo e fuga, bem como referência a passagens
anteriores e risco à ordem pública e à aplicação da lei penal.
3. Decisões anteriores. A decisão monocrática entendeu ausentes
elementos concretos aptos a justificar a segregação provisória,
reputou desproporcional a manutenção do cárcere ante as condições
pessoais favoráveis e a pena cominada, e admitiu a substituição por
medidas cautelares do art. 319 do CPP. Informação superveniente de
condenação em regime aberto, com reconhecimento do direito de
recorrer em liberdade.
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
4. A questão em discussão consiste em saber se estão presentes os
requisitos legais autorizadores da prisão preventiva, nos termos do
art. 312 do CPP, e se são adequadas medidas cautelares diversas do
encarceramento, previstas no art. 319 do CPP.
III. RAZÕES DE DECIDIR
5. A prisão preventiva, medida de caráter excepcional, exige
motivação concreta que demonstre a necessidade da custódia para
garantia da ordem pública ou econômica, conveniência da instrução
criminal ou para assegurar a aplicação da lei penal, não sendo
suficientes considerações genéricas sobre a gravidade abstrata dos
fatos.
6. A fundamentação utilizada pelo Juízo de origem limitou-se a
narrativas gerais do episódio e referências a passagens anteriores e
fuga, sem indicar dados objetivos contemporâneos que evidenciem
risco atual, o que inviabiliza a manutenção da medida cautelar
extrema.
7. Revela-se desproporcional manter o agravado em cárcere ante as
condições pessoais favoráveis e a pena cominada aos delitos em
apuração, sendo adequada a substituição por medidas cautelares
diversas do encarceramento.
8. A orientação jurisprudencial é pacífica no sentido de exigir
motivação concreta para a segregação cautelar, vedando-se a
decretação ou manutenção da prisão preventiva com base apenas em
gravidade abstrata do delito ou em juízos genéricos.
IV. DISPOSITIVO E TESE
9. Resultado do Julgamento: Agravo regimental improvido.
Tese de julgamento:
1. A decretação ou manutenção da prisão preventiva exige motivação
concreta nos termos do art. 312 do CPP, não bastando considerações
genéricas ou referência à gravidade abstrata do delito. 2. Ausentes
elementos objetivos que justifiquem a segregação cautelar, deve-se
revogar a prisão preventiva e avaliar a aplicação de medidas
cautelares diversas do encarceramento, previstas no art. 319 do CPP.
3. A proporcionalidade da medida cautelar deve considerar as
condições pessoais do acusado e a pena cominada aos delitos em
apuração. Dispositivos relevantes citados: CPP, art. 312; CPP, art.
319.
Jurisprudência relevante citada: STJ, HC 322.981/SP, Rel. p/ Acórdão
Min. Maria Thereza de Assis Moura, Sexta Turma, j. 20.08.2015, DJe
15.09.2015; STJ, RHC 67.478/MG, Rel. Min. Reynaldo Soares da
Fonseca, Quinta Turma, j. 02.08.2016, DJe 10.08.2016; STJ, RHC
59.339/RJ, Rel. Min. Felix Fischer, Quinta Turma, j. 04.02.2016, DJe
17.02.2016.
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