Acórdão · Superior Tribunal de Justiça
RHC 238.172
- Julgado em 16/06/2026 · publicado em 22/06/2026
- Órgão julgador: QUINTA TURMA
- Relator: MARIA MARLUCE CALDAS
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Ementa
DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO EM
HABEAS CORPUS. PRISÃO PREVENTIVA. LAVAGEM DE DINHEIRO. ORGANIZAÇÃO
CRIMINOSA. FUNDAMENTAÇÃO CONCRETA. GRAVIDADE REAL DA CONDUTA.
APREENSÃO DE R$ 800.000,00 EM ESPÉCIE, ARMAS DE CALIBRE RESTRITO E
VEÍCULOS DE ALTO VALOR. MODUS OPERANDI ESTRUTURADO. PERICULOSIDADE
DO AGENTE. RISCO DE REITERAÇÃO DELITIVA. CONVENIÊNCIA DA INSTRUÇÃO
CRIMINAL. MEDIDAS CAUTELARES DIVERSAS. INSUFICIÊNCIA. DECISÃO
MANTIDA. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO.
I. Caso em exame
1. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que negou
provimento ao recurso em habeas corpus, mantendo a prisão
preventiva decretada pelo juízo de origem.
2. O agravante sustenta que a custódia é ilegal por ausência de
análise das medidas cautelares alternativas, fundamentação genérica,
inexistência de risco concreto e fragilidade dos elementos
investigativos, afirmando ainda possuir condições pessoais
favoráveis.
II. Questão em discussão
3. Discute-se se a decisão agravada deixou de enfrentar argumentos
essenciais da defesa; se a prisão preventiva carece de fundamentação
concreta; se os elementos apreendidos justificam a medida extrema;
e se as cautelares do art. 319 do CPP seriam suficientes para
resguardar a ordem pública e a instrução criminal.
III. Razões de decidir
4. A decisão agravada destacou que a prisão preventiva foi decretada
com base em elementos concretos, notadamente a apreensão de R$
800.000,00 em espécie, armas de calibre restrito, veículos de alto
valor e indícios de atuação estruturada em organização criminosa
voltada à lavagem de dinheiro.
5. A periculosidade do agravante foi evidenciada pela tentativa de
sacar arma de fogo durante a abordagem policial, bem como por
histórico criminal por agiotagem e extorsão, circunstâncias que
indicam risco concreto de reiteração delitiva, conforme orientação
consolidada desta Corte.
6. A custódia cautelar também se justifica para assegurar a
instrução criminal, diante da necessidade de perícia em diversos
smartphones apreendidos, etapa essencial para identificação de
outros integrantes do grupo.
7. As medidas cautelares diversas mostram-se insuficientes para
neutralizar os riscos identificados, diante da gravidade concreta da
conduta e da estrutura organizada revelada pelo modus operandi.
8. Ausentes argumentos novos capazes de infirmar os fundamentos da
decisão monocrática, impõe-se sua manutenção.
IV. Agravo regimental desprovido.
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