Acórdão · Superior Tribunal de Justiça
REsp 2.191.902
- Julgado em 19/08/2026 · publicado em 26/08/2026
- Órgão julgador: SEXTA TURMA
- Relator: SEBASTIÃO REIS JÚNIOR
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Ementa
RECURSO ESPECIAL. PENAL. PROCESSUAL PENAL. HOMICÍDIO QUALIFICADO E
ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA. DOSIMETRIA DA PENA. PENA-BASE. ALEGAÇÃO DE
BIS IN IDEM NO CRIME DE HOMICÍDIO. NÃO OCORRÊNCIA. ELEMENTOS
CONCRETOS E DISTINTOS UTILIZADOS PARA EXASPERAR AS VETORIAIS DE
CULPABILIDADE E CIRCUNSTÂNCIAS DO CRIME. MAUS ANTECEDENTES.
CONDENAÇÃO DEFINITIVA POR FATO POSTERIOR. IMPOSSIBILIDADE DE
VALORAÇÃO NO CRIME DE HOMICÍDIO. AFASTAMENTO DEVIDO. DELITO DE
ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA. CRIME PERMANENTE. FATO DELITUOSO PRATICADO
DURANTE O PERÍODO DE CONSUMAÇÃO DA ASSOCIAÇÃO ESPÚRIA. MANUTENÇÃO
DOS MAUS ANTECEDENTES. ADMISSIBILIDADE RECURSAL. INCIDÊNCIA DAS
SÚMULAS 283 DO STF E 7 DO STJ QUANTO ÀS DEMAIS TESES.
1. Não se conhece do recurso especial quanto à dosimetria do crime
de organização criminosa e às frações de aumento da segunda fase do
homicídio e da Lei n. 12.850/2013 se a insurgência deixa de impugnar
fundamentos autônomos do acórdão recorrido e demanda o reexame do
conjunto fático-probatório. Incidência, na espécie, das Súmulas
283/STF e 7/STJ.
2. Pretensão de estender ao recorrente a fração aplicada a corréu
demanda o cotejo fático-probatório das premissas fixadas no acórdão
recorrido com as molduras processuais e circunstâncias
individualizadas da outra ação penal desmembrada, notadamente quando
fixadas por elementos relacionados a forma como cada acusado atuou
na consecução do intento criminoso. Incidência da Súmula 7/STJ.
Precedentes do STF e do STJ.
3. Inexiste dupla valoração (bis in idem) na fixação da pena-base do
crime de homicídio se o magistrado sentenciante apresentou
fundamentos concretos e distintos para justificar o aumento da
reprimenda pelas circunstâncias judiciais da culpabilidade e das
circunstâncias do crime.
4. A condenação definitiva por fato posterior ao crime em julgamento
não autoriza a valoração negativa dos maus antecedentes. Assim,
impõe-se o afastamento da vetorial quanto ao crime de homicídio,
cujo fato gerador da condenação posterior ocorreu após a consumação
do delito.
5. No crime de organização criminosa, por se tratar de delito
permanente cuja consumação se protrai no tempo, a condenação por
fato ocorrido durante o período de permanência delitiva e transitada
em julgado antes da sentença pode ser legitimamente considerada
como maus antecedentes.
6. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa extensão,
parcialmente provido.
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