Acórdão · Superior Tribunal de Justiça
AgRg no HC 1.081.566
- Julgado em 24/06/2026 · publicado em 16/07/2026
- Órgão julgador: QUINTA TURMA
- Relator: MARIA MARLUCE CALDAS
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Ementa
DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS.
TRÁFICO DE DROGAS. INADEQUAÇÃO DO WRIT COMO SUCEDÂNEO RECURSAL.
PRISÃO PREVENTIVA. FUNDAMENTAÇÃO IDÔNEA. REITERAÇÃO DELITIVA.
DESCUMPRIMENTO DE MEDIDAS CAUTELARES. PRISÃO DOMICILIAR. MÃE DE
CRIANÇA MENOR. SITUAÇÃO EXCEPCIONALÍSSIMA. CRIME PRATICADO NO
AMBIENTE DOMÉSTICO. INDEFERIMENTO. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO.
I. CASO EM EXAME
1. Agravo regimental interposto contra decisão que não conheceu de
habeas corpus, no qual se pleiteava a substituição da prisão
preventiva por prisão domiciliar em favor de paciente presa em
flagrante por tráfico de drogas, mãe de criança menor, sob o
argumento de proteção à convivência familiar e ao melhor interesse
da criança.
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
2. Há duas questões em discussão: (i) definir se é cabível o habeas
corpus como sucedâneo de recurso próprio na ausência de flagrante
ilegalidade; (ii) estabelecer se estão presentes os requisitos para
revogação da prisão preventiva ou sua substituição por prisão
domiciliar, considerando a condição de mãe de criança menor.
III. RAZÕES DE DECIDIR
3. O habeas corpus não é cabível como substitutivo de recurso
próprio, salvo em hipóteses excepcionais de flagrante ilegalidade,
abuso de poder ou teratologia, não evidenciadas no caso.
4. A prisão preventiva encontra-se devidamente fundamentada na
garantia da ordem pública e na aplicação da lei penal, com base em
elementos concretos, como a apreensão de drogas variadas e
fracionadas, dinheiro em espécie e simulacro de arma de fogo.
5. A quantidade, natureza e forma de acondicionamento dos
entorpecentes evidenciam a gravidade concreta da conduta e o risco à
ordem pública.
6. A reincidência específica da paciente, aliada à existência de
mandado de prisão em aberto pelo mesmo delito, demonstra reiteração
delitiva e periculosidade.
7. O descumprimento de medidas cautelares anteriormente impostas
reforça a inadequação de medidas alternativas à prisão.
8. A substituição da prisão preventiva por domiciliar pode ser
afastada em situações excepcionalíssimas, mesmo quando a paciente é
mãe de criança menor de 12 anos.
9. A prática do crime no interior da residência, utilizada como
ponto de tráfico, revela ambiente inadequado ao desenvolvimento da
criança e afasta a aplicação da prisão domiciliar com base no melhor
interesse do menor.
10. A existência de cuidador alternativo apto a zelar pela criança
afasta a imprescindibilidade da presença materna.
IV. DISPOSITIVO
11. Agravo regimental desprovido.
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