Acórdão · Superior Tribunal de Justiça
AgRg no HC 1.079.283
- Julgado em 19/08/2026 · publicado em 26/08/2026
- Órgão julgador: QUINTA TURMA
- Relator: JOEL ILAN PACIORNIK
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Ementa
DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS.
TRÁFICO DE DROGAS. DESCLASSIFICAÇÃO PARA O ART. 28 DA LEI DE DROGAS.
DEPOIMENTO POLICIAL EM JUÍZO. VALIDADE. CONDIÇÃO DE USUÁRIO.
IRRELEVÂNCIA. REVOLVIMENTO FÁTICO-PROBATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE.
RECURSO DESPROVIDO.
I. CASO EM EXAME
1. Agravo regimental contra decisão monocrática que indeferiu
liminarmente habeas corpus, por ausência de ilegalidade na
condenação do agravante pelo crime de tráfico de drogas.
2. A defesa insiste na desclassificação da conduta para o art. 28 da
Lei n. 11.343/2006, alegando ínfima quantidade de entorpecente (15
papelotes de cocaína, totalizando 16,58g), ausência de petrechos
típicos da traficância, inexistência de numerário, falta de
comprovação de atos de mercancia e dependência química comprovada
por laudo médico.
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
3. A questão em discussão consiste em saber se, em sede de habeas
corpus, há ilegalidade apta a autorizar a desclassificação da
condenação por tráfico para o art. 28 da Lei de Drogas, diante dos
elementos probatórios constantes dos autos.
III. RAZÕES DE DECIDIR
4. As razões recursais reiteram teses já apreciadas e rejeitadas na
decisão agravada, sem apresentar argumentos novos capazes de
infirmar seus fundamentos.
5. Depoimentos policiais prestados em juízo constituem meio de prova
idôneo para embasar a condenação, quando ausente dúvida sobre a
imparcialidade e quando coerentes com o conjunto probatório, como no
caso, em que o acondicionamento em 15 porções individuais prontas
para venda e o conhecimento do paciente no meio policial indicam
destinação mercantil da droga.
6. A eventual condição de usuário do acusado não descaracteriza, por
si só, a prática do tráfico, sendo frequente que dependentes
custeiem o próprio consumo mediante comercialização de drogas.
7. O habeas corpus não se presta ao revolvimento do conjunto
fático-probatório para fins de absolvição ou desclassificação da
conduta, o que torna inviável a pretensão na via eleita.
8. A decisão agravada está em consonância com a jurisprudência desta
Corte Superior quanto aos pressupostos para a condenação por
tráfico e à inadequação do habeas corpus para discussão probatória
ampla.
IV. DISPOSITIVO E TESE
9. Resultado do Julgamento: Agravo regimental desprovido.
Teses de julgamento: 1. Depoimentos policiais prestados em juízo,
ausente dúvida sobre a imparcialidade, são idôneos para fundamentar
a condenação quando coerentes com o acervo probatório. 2. A condição
de usuário não afasta, por si só, a destinação mercantil da droga.
3. O habeas corpus não comporta revolvimento fático-probatório para
absolvição ou desclassificação da conduta de tráfico.
Dispositivos relevantes citados: RISTJ, art. 258, caput; Lei n.
11.343/2006, art. 28
Jurisprudência relevante citada: STJ, AgRg no HC n. 959.510/PR,
Quinta Turma, j. 3/12/2024, DJe 9/12/2024; STJ, AgRg no HC n.
894.521/SC, Sexta Turma, j. 27/5/2024, DJe 3/6/2024; STJ, AgRg no HC
n. 995.569/SP, Sexta Turma, j. 12/11/2025, DJEN 18/11/2025; STJ,
AgRg no HC n. 774.963/SC, Sexta Turma, j. 29/5/2023, DJe 1/6/2023;
STJ, AgRg no HC n. 733.576/SP, Sexta Turma, j. 24/4/2023, DJe
28/4/2023
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