Acórdão · Superior Tribunal de Justiça
AgRg no HC 1.044.830
- Julgado em 24/06/2026 · publicado em 30/06/2026
- Órgão julgador: QUINTA TURMA
- Relator: MARIA MARLUCE CALDAS
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Ementa
DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS.
TRÁFICO DE DROGAS E ASSOCIAÇÃO PARA O TRÁFICO. MONITORAMENTO
ELETRÔNICO. ALEGAÇÃO DE EXCESSO DE PRAZO E AUSÊNCIA DE
CONTEMPORANEIDADE. PROCESSO COMPLEXO. RISCO DE EVASÃO. NECESSIDADE E
ADEQUAÇÃO DA MEDIDA. DECISÃO AGRAVADA MANTIDA. DESPROVIMENTO.
I. CASO EM EXAME
1. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que não
conheceu de habeas corpus.
2. A defesa sustenta a ocorrência de constrangimento ilegal
consubstanciado na manutenção da monitoração eletrônica por
aproximadamente um ano e onze meses sem reavaliação fundamentada,
alegando excesso de prazo, ausência de contemporaneidade e prejuízo
ao exercício profissional.
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
3. A questão em discussão consiste em saber se a manutenção da
medida cautelar de monitoramento eletrônico configura coação ilegal
por excesso de prazo ou desproporcionalidade, considerando a
complexidade da instrução e o histórico de evasão do réu registrado
nos autos.
III. RAZÕES DE DECIDIR
4. A decisão agravada ratificou a inadequação da utilização do
habeas corpus em substituição ao recurso ordinário cabível,
inexistindo ilegalidade flagrante que justifique a concessão da
ordem de ofício.
5. O excesso de prazo na instrução criminal e na manutenção de
cautelares deve ser aferido sob o prisma da razoabilidade, sendo
justificado, no caso concreto, pela elevada complexidade do feito
(pluralidade de réus, apreensão de meia tonelada de entorpecentes e
incidentes processuais como o declínio de competência para a Justiça
Federal).
6. A medida revela-se necessária e contemporânea para assegurar a
aplicação da lei penal, uma vez evidenciado o risco concreto de
evasão decorrente da conduta anterior do agravante, que deixou o
Estado de Roraima e retornou ao Rio de Janeiro com o intuito de
dificultar o cumprimento de mandado de prisão.
7. Conforme a jurisprudência desta Corte, o monitoramento eletrônico
constitui restrição de menor impacto que a custódia preventiva e,
via de regra, não impede o exercício de atividades profissionais.
IV. RESULTADO E TESE
8. Agravo regimental desprovido.
Tese de julgamento: 1. O excesso de prazo na manutenção de medidas
cautelares não decorre de simples cálculo aritmético, sendo legítimo
quando amparado na complexidade da causa e em incidentes
processuais devidamente fundamentados. 2. A demonstração de risco
concreto de evasão, baseada em comportamento anterior do acusado
visando frustrar a aplicação da lei, justifica a imposição de
monitoramento eletrônico como medida adequada e proporcional.
Dispositivos relevantes citados: Constituição Federal, art. 105, II,
"a"; Código de Processo Penal, arts. 282, §§ 5º e 6º, 312 e 654, §
2º; Regimento Interno do STJ, art. 34, XX.
Jurisprudência relevante citada: STJ, RHC n. 209.788/RJ, Relator
Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, julgado em 30/4/2025,
DJEN de 7/5/2025.
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