Acórdão · Superior Tribunal de Justiça
REsp 2.273.378
- Julgado em 12/08/2026 · publicado em 17/08/2026
- Órgão julgador: QUARTA TURMA
- Relator: JOÃO OTÁVIO DE NORONHA
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Ementa
DIREITO DO CONSUMIDOR. RECURSO ESPECIAL. PLANO DE SAÚDE COLETIVO
EMPRESARIAL. VALIDADE DA CLÁUSULA DE AVISO PRÉVIO DE 60 DIAS E
COBRANÇA DE MENSALIDADES APÓS O CANCELAMENTO. RECURSO ESPECIAL NÃO
CONHECIDO.
I. CASO EM EXAME
1. Recurso especial interposto contra acórdão do Tribunal de Justiça
do Estado de São Paulo, em apelação cível, que desproveu o recurso
e manteve a sentença.
2. A controvérsia envolve ação declaratória de inexistência de
débito c/c obrigação de fazer e tutela antecipada, referente ao
cancelamento do plano de saúde coletivo empresarial e à
inexigibilidade de mensalidades após o pedido de rescisão. O valor
da causa foi fixado em R$ 3.149,26.
3. Na sentença, o Juízo de primeiro grau julgou procedentes os
pedidos, confirmou a tutela de urgência, declarou a inexigibilidade
dos débitos após 15/1/2025 e considerou rescindido o contrato a
partir de 15/1/2025, fixando honorários em 20% do valor atualizado
da causa.
4. A Corte de origem negou provimento à apelação, manteve a sentença
e reconheceu a abusividade da cláusula de aviso prévio de 60 dias e
da cobrança de mensalidades após o cancelamento, à luz de ação
civil pública com eficácia erga omnes.
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
5. Há três questões em discussão: (i) saber se o acórdão contrariou
os arts. 421 e 422 do CC ao afastar a cláusula contratual de aviso
prévio de 60 dias em plano coletivo; (ii) saber se houve
demonstração específica de dissídio jurisprudencial nos termos dos
arts. 1.029, § 1º, do CPC e 255, § 1º, do RISTJ; e (iii) saber se se
configurou advocacia predatória e litigância de má-fé, com extinção
do feito sem julgamento do mérito, nos termos dos arts. 485, IV,
80, III, 81, § 3º, e 6º do CPC.
III. RAZÕES DE DECIDIR
6. Incide a Súmula n. 282 do STF quanto aos arts. 421 e 422 do CC
por ausência de debate na origem e inexistência de embargos de
declaração.
7. Não se comprova o dissídio jurisprudencial por falta de cotejo
analítico, nos termos dos arts. 1.029, § 1º, do CPC e 255, § 1º, do
RISTJ.
8. Aplica-se a Súmula n. 7 do STJ para obstar o reexame do acervo
fático-probatório quanto à alegada advocacia predatória e litigância
de má-fé.
IV. DISPOSITIVO E TESE
9. Recurso especial não conhecido.
Tese de julgamento: "1. Incide a Súmula n. 282 do STF quando ausente
o prequestionamento dos arts. 421 e 422 do CC. 2. A ausência de
cotejo analítico inviabiliza o conhecimento pela alínea c do art.
105, III, da CF, nos termos dos arts. 1.029, § 1º, do CPC e 255, §
1º, do RISTJ. 3. Aplica-se a Súmula n. 7 do STJ quando necessário o
reexame do acervo probatório para análise de advocacia predatória e
litigância de má-fé".
Dispositivos relevantes citados: CF, art. 105, III; CC, arts. 421 e
422; CPC, arts. 1.029, § 1º, 80, III, 81, § 3º, 85, §§ 2º e 11, 485,
IV, e 6º; RISTJ, art. 255, § 1º.
Jurisprudência relevante citada: STF, Súmula n. 282; STJ, Súmula n.
7.
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