Acórdão · Superior Tribunal de Justiça
REsp 2.238.986
- Julgado em 09/03/2026 · publicado em 12/03/2026
- Órgão julgador: TERCEIRA TURMA
- Relator: HUMBERTO MARTINS
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Ementa
DIREITO CIVIL. RECURSO ESPECIAL. ADJUDICAÇÃO COMPULSÓRIA. HIPOTECA
SOBRE IMÓVEL COMERCIAL. INAPLICABILIDADE DA SÚMULA 308/STJ.
I. CASO EM EXAME
1. Recurso especial interposto contra acórdão do Tribunal de Justiça
do Estado da Bahia que determinou o cancelamento de hipoteca
constituída sobre imóvel comercial adquirido mediante promessa de
compra e venda, aplicando o entendimento da Súmula 308/STJ.
2. O Tribunal de origem reformou a sentença de primeiro grau,
entendendo que a proteção ao adquirente de boa-fé deve prevalecer
independentemente da natureza do imóvel, determinando a baixa do
gravame hipotecário.
3. O recorrente sustenta que a Súmula 308/STJ aplica-se
exclusivamente aos imóveis residenciais no âmbito do Sistema
Financeiro da Habitação (SFH), sendo inaplicável aos imóveis
comerciais, em respeito à garantia hipotecária validamente
constituída.
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
4. A questão em discussão consiste em saber se o entendimento
consolidado na Súmula 308/STJ é aplicável às hipóteses de hipoteca
incidente sobre imóvel comercial adquirido mediante promessa de
compra e venda.
III. RAZÕES DE DECIDIR
5. A Súmula 308/STJ tem seu alcance restrito aos imóveis
residenciais, especialmente no âmbito do Sistema Financeiro da
Habitação (SFH), como forma de proteger o direito social à moradia.
6. A proteção prevista na Súmula 308/STJ não se estende a imóveis
comerciais, cuja aquisição possui natureza de investimento
empresarial, prevalecendo, nesses casos, a garantia hipotecária
validamente constituída, em respeito à segurança jurídica e ao art.
1.419 do Código Civil.
7. No caso concreto, o imóvel em litígio é uma sala comercial
adquirida por pessoa jurídica, configurando relação estritamente
empresarial, o que afasta a aplicação da Súmula 308/STJ.
IV. DISPOSITIVO
Recurso especial provido para reformar o acórdão recorrido e
restabelecer a sentença de primeiro grau, que julgou improcedente o
pedido de cancelamento da hipoteca.
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