Acórdão · Superior Tribunal de Justiça
REsp 2.111.955
- Julgado em 22/06/2026 · publicado em 25/06/2026
- Órgão julgador: TERCEIRA TURMA
- Relator: HUMBERTO MARTINS
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Ementa
PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO DE
TÍTULO EXTRAJUDICIAL. DESISTÊNCIA DA AÇÃO MOTIVADA PELA AUSÊNCIA DE
BENS PENHORÁVEIS. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS FIXADOS NO DESPACHO
INICIAL (ART. 827 DO CPC). SUBSISTÊNCIA DA VERBA. AUTONOMIA DO
CRÉDITO HONORÁRIO. INCIDÊNCIA DO PRINCÍPIO DA CAUSALIDADE (ART. 85,
§ 10, DO CPC). RESPONSABILIDADE DO EXECUTADO RECALCITRANTE.
INAPLICABILIDADE DO ART. 90 DO CPC EM FACE DA AUSÊNCIA DE DESÍDIA DO
CREDOR. ALINHAMENTO À RAZÃO DECIDENDI DO ERESP N. 1.854.589/PR.
DECISÃO MONOCRÁTICA MANTIDA.
1. O direito à percepção dos honorários advocatícios fixados initio
litis (art. 827 do CPC) resguarda natureza autônoma e nasce com o
despacho de recebimento da inicial, condicionado ao inadimplemento
voluntário do devedor que deu ensejo à instauração do feito
executivo.
2. Pelo princípio da causalidade, positivado no art. 85, §10, do
CPC, os ônus processuais devem ser suportados por quem deu causa à
demanda. A posterior desistência da execução, motivada
exclusivamente pela frustração na localização de patrimônio
penhorável, não exime o executado recalcitrante de responder pela
verba honorária, sob pena de premiar o devedor beneficiado por sua
própria insolvência.
3. Afasta-se a aplicação literal do art. 90 do CPC nas hipóteses em
que a extinção anômala do feito decorre de ato alheio à desídia do
credor. A ratio decidendi firmada pela Corte Especial no EREsp n.
1.854.589/PR consagra que a causalidade imposta pelo inadimplemento
originário sobrepuja a sucumbência formal, entendimento
perfeitamente aplicável ao caso por simetria jurídica.
Agravo interno improvido.
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