Acórdão · Superior Tribunal de Justiça
REsp 2.077.478
- Julgado em 08/06/2026 · publicado em 11/06/2026
- Órgão julgador: TERCEIRA TURMA
- Relator: HUMBERTO MARTINS
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Ementa
RECURSO ESPECIAL. COMPRA E VENDA DE IMÓVEL (LOTEAMENTO). ATRASO NA
ENTREGA. SUSPENSÃO DO PROCESSO. PREJUDICIALIDADE EXTERNA. NÃO
OCORRÊNCIA. ENTRAVES ADMINISTRATIVOS. FORTUITO INTERNO. SÚMULA N.
7/STJ. CLÁUSULA PENAL MORATÓRIA. TEMAS N. 970 E 971/STJ. SÚMULA N.
83/STJ. REEXAME DE CLÁUSULAS E PROVAS. SÚMULAS N. 5 E 7/STJ. DANO
MORAL. CONFIGURAÇÃO.
1. Inexiste prejudicialidade externa (art. 313, V, "a", do CPC)
entre a lide indenizatória do adquirente e o litígio entre loteadora
e concessionária.
2. O atraso por entraves burocráticos configura fortuito interno,
risco inerente à atividade empresarial que não afasta a mora do
fornecedor.
3. A pretensão de validar a dilação do prazo (caso fortuito externo)
ou restabelecer o teto da multa contratual exige o reexame de
cláusulas e do contexto fático-probatório, atraindo o óbice das
Súmulas n. 5 e 7/STJ.
4. A cláusula penal moratória possui natureza compensatória e, se
equivalente ao aluguel, afasta a cumulação com lucros cessantes
(Temas n. 970 e 971/STJ).
5. Decidido o mérito em sintonia com a orientação deste Tribunal,
incide a Súmula n. 83/STJ como óbice ao conhecimento do recurso por
ambas as alíneas do permissivo constitucional.
Recurso especial não conhecido.
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