Acórdão · Superior Tribunal de Justiça
REsp 1.987.055
- Julgado em 30/03/2026 · publicado em 07/04/2026
- Órgão julgador: QUARTA TURMA
- Relator: JOÃO OTÁVIO DE NORONHA
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Ementa
DIREITO CIVIL. RECURSO ESPECIAL. SEGURO HABITACIONAL NO SFH.
COBERTURA PARA VÍCIOS CONSTRUTIVOS E AMEAÇA DE DESMORONAMENTO.
RECURSO ESPECIAL PROVIDO.
I. CASO EM EXAME
1. Recurso especial
interposto contra acórdão do Tribunal de Justiça de Santa Catarina
que, em apelação, negou cobertura securitária por vícios
construtivos e por ausência de risco atual de desmoronamento em
seguro habitacional do SFH.
2. A controvérsia v ersa sobre ação de
responsabilidade obrigacional securitária em que se busca
indenização por danos físicos no imóvel financiado pelo SFH,
ressarcimento de consertos realizados e multa decendial de 2%.
3. Na
sentença, o Juízo de primeiro grau extinguiu sem resolução de mérito
o pedido relativo às áreas comuns por ilegitimidade ativa e julgou
improcedentes os demais pedidos, com custas e honorários fixados em
10%, suspensa a exigibilidade pela justiça gratuita.
4. A Corte de
origem manteve integralmente a improcedência e majorou os honorários
para 15%, com suspensão da exigibilidade.
II. QUESTÃO EM
DISCUSSÃO
5. Há cinco questões em discussão: (i) saber se incidem,
no contrato de seguro habitacional obrigatório, os arts. 6, IV e V,
da Lei n. 8.078/1990 para revisão de cláusulas abusivas e proteção
do consumidor; (ii) saber se o art. 47 da Lei n. 8.078/1990 impõe
interpretação das cláusulas mais favorável ao mutuário em seguro
compulsório; (iii) saber se o art. 51 da Lei n. 8.078/1990 torna
nulas cláusulas que excluem vícios construtivos e geram desvantagem
exagerada; (iv) saber se o art. 3, § 2º, da Lei n. 8.078/1990
confirma a natureza de contrato de consumo e sua função social; e
(v) saber se há divergência jurisprudencial quanto à cobertura de
vícios estruturais e ameaça de desmoronamento.
III. RAZÕES DE
DECIDIR
6. A orientação firmada no REsp 1.804.965/SP (Segunda Seção)
determina interpretar a delimitação de riscos do seguro habitacional
obrigatório em conformidade com a mutualidade, a boa-fé objetiva, o
dever de informação e a função socioeconômica do seguro, reputando
incompatível a exclusão de cobertura para vícios estruturais de
construção.
7. A negativa de cobertura fundada em distinção entre
causa interna e causa externa não se harmoniza com a finalidade
protetiva do seguro; a ausência de risco atual de desmoronamento não
constitui condição impeditiva automática quando reconhecido dano
estrutural que compromete a segurança e a habitabilidade do
imóvel.
IV. DISPOSITIVO E TESE
8. Recurso especial provido.
Tese de
julgamento: "1. O STJ entende que no seguro habitacional obrigatório
do SFH, a restrição de cobertura deve ser interpretada de modo
compatível com a boa-fé objetiva, a função socioeconômica do
contrato e a proteção do consumidor, não se admitindo a negativa
para vícios estruturais de construção. "
Dispositivos relevantes
citados: Lei n. 8.078/1990, arts. 3, § 2º, 6, 47 e 51; CPC, art.
485, § 3º, VI.
Jurisprudência relevante citada: STJ, REsp n.
1.804.965/SP, Segunda Seção; STJ, AgInt no REsp n. 1.111.823/SC,
relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, julgado em 12/9/2017.
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