Acórdão · Superior Tribunal de Justiça
HC 1.087.914
- Julgado em 11/06/2026 · publicado em 16/06/2026
- Órgão julgador: SEXTA TURMA
- Relator: ROGERIO SCHIETTI CRUZ
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Ementa
AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. ROUBO CIRCUNSTANCIADO PELO
EMPREGO DE ARMA DE FOGO. COMUTAÇÃO DE PENA. DECRETO N. 12.338/2024.
AFERIÇÃO DA HEDIONDEZ DO DELITO. DATA DE EDIÇÃO DO DECRETO
PRESIDENCIAL COMO PARÂMETRO. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO.
1. A concessão de indulto ou comutação de pena constitui ato
discricionário do Presidente da República, condicionado ao
preenchimento dos requisitos estabelecidos no decreto presidencial,
nos termos do art. 84, XII, da Constituição Federal. O Decreto n.
12.338/2024 estabelece, em seu art. 1º, I, que o indulto e a
comutação de pena não alcançam as pessoas condenadas por crime
hediondo ou equiparado, conforme a Lei n. 8.072/1990.
2. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça consolidou o
entendimento de que a aferição da natureza hedionda do delito, para
fins de indulto ou comutação, deve observar a data de edição do
decreto presidencial, e não a data da prática do crime. A vedação da
concessão do indulto aos condenados por crimes hediondos não
configura aplicação retroativa de lei mais gravosa, pois a
abrangência dos limites e dos pressupostos da indulgência deve ser
analisada a partir da publicação do diploma normativo.
3. O art. 7º, parágrafo único, do Decreto n. 12.338/2024 dispõe que,
na hipótese de concurso com crime impeditivo, não será declarado o
indulto ou a comutação relativa ao crime não impeditivo enquanto a
pessoa condenada não cumprir dois terços da pena correspondente ao
crime impeditivo. A expressão "concurso", utilizada pelo referido
dispositivo, deve ser compreendida em seu sentido amplo, como
unificação de penas, e não abrange os arts. 69 e 70 do Código Penal
(AgRg no HC n. 1.040.121/SP, relator Ministro Antonio Saldanha
Palheiro, 6ª T., DJe de 16/12/2025).
4. Agravo regimental não provido.
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