Acórdão · Superior Tribunal de Justiça
EDcl no REsp 2.185.475
- Julgado em 24/08/2026 · publicado em 27/08/2026
- Órgão julgador: QUARTA TURMA
- Relator: JOÃO OTÁVIO DE NORONHA
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Ementa
DIREITO PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO
ESPECIAL. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL, INSUFICIÊNCIA DE
FUNDAMENTAÇÃO, AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA, SÚMULA N. 283 DO
STF E MAJORAÇÃO DE HONORÁRIOS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS.
I. CASO EM EXAME
1. Embargos de declaração opostos a acórdão que conheceu em parte e
desproveu o recurso especial, com majoração de honorários, em razão
do afastamento de violação aos arts. 489 e 1.022 do CPC e da
incidência da Súmula n. 283 do STF por ausência de impugnação
específica a fundamentos autônomos.
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
2. Há seis questões em discussão: (i) saber se houve omissão quanto
à relevância das cláusulas terceira, quarta e quinta do contrato
para a certeza subjetiva do título e a legitimidade passiva; (ii)
saber se há compatibilidade entre o reconhecimento, na origem, de
omissão na interpretação integral do contrato e a conclusão de
suficiência da prestação jurisdicional pelo STJ; (iii) saber se há
obscuridade nos critérios de incidência da Súmula n. 283 do STF
diante da impugnação substancial aos fundamentos de inexistência de
devedora no título e inviabilidade de dilação probatória; (iv) saber
se há obscuridade quanto ao alcance do fundamento de necessidade de
dilação probatória; (v) saber se há obscuridade sobre o exato
alcance da majoração dos honorários recursais de 10%; e (vi) saber
se existe contradição interna entre o afastamento da negativa de
prestação jurisdicional e a aplicação da Súmula n. 283 do STF.
III. RAZÕES DE DECIDIR
3. Os embargos de declaração destinam-se a esclarecer obscuridade,
eliminar contradição, suprir omissão ou corrigir erro material
existentes no julgado.
4. Inexistente omissão: o acórdão enfrentou de forma suficiente os
pontos essenciais sobre certeza subjetiva do título e legitimidade
passiva, não se exigindo exame tópico das cláusulas contratuais
mencionadas.
5. Não há obscuridade na aplicação da Súmula n. 283 do STF: foram
explicitados os fundamentos autônomos não impugnados - inexistência
de indicação da executada como devedora no título e inviabilidade de
dilação probatória na via executiva.
6. Inexiste contradição interna: é compatível afastar negativa de
prestação jurisdicional e, simultaneamente, aplicar a Súmula n. 283
do STF por ausência de impugnação específica a fundamentos autônomos
suficientes.
7. Ausente obscuridade quanto ao alcance do fundamento de dilação
probatória: consignou-se que a via executiva é inadequada para
apurar eventual responsabilidade solidária, o que demanda instrução,
atraindo o óbice da Súmula n. 283 do STF.
8. Não há obscuridade na majoração dos honorários: o acórdão
determinou acréscimo de 10% sobre o valor já arbitrado nas
instâncias de origem, observados os limites do art. 85, § 2º, do
CPC.
IV. DISPOSITIVO E TESE
5. Embargos de declaração rejeitados.
Tese de julgamento: "1. Não há omissão quando o acórdão embargado
enfrenta suficientemente os pontos essenciais da controvérsia,
dispensando exame tópico de cláusulas contratuais específicas. 2.
Não cabem embargos de declaração para questionar a aplicação da
Súmula n. 283 do STF quando o recurso não impugna fundamento
autônomo suficiente do acórdão. 3. Inexiste contradição ao se
afastar negativa de prestação jurisdicional e, ao mesmo tempo,
aplicar a Súmula n. 283 do STF por falta de impugnação específica.
4. Não há obscuridade quanto à necessidade de dilação probatória
quando o acórdão explicita a inadequação da via executiva para
apuração de responsabilidade. 5. Não há obscuridade na majoração de
honorários quando definido acréscimo de 10% sobre o valor já
arbitrado, observados os limites legais."
Dispositivos relevantes citados: CPC, arts. 1.022, 1.026, § 2º, 85,
§§ 2º e 11, 489, § 1º, IV e VI, 778, caput, 779, I, 485, IV e VI, e
924, I; CC, arts. 439 e 440; CF, art. 105, III, a.
Jurisprudência relevante citada: STF, Súmula n. 283; STJ, AgInt nos
EDcl no AREsp n. 2.850.084/SC, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta
Turma, julgados em 15/9/2025; STJ, AgInt no REsp n. 1.608.498/RS,
relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, julgado em 27/3/2023.
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