Acórdão · Superior Tribunal de Justiça
EDcl no AREsp 2.142.464
- Julgado em 12/08/2026 · publicado em 17/08/2026
- Órgão julgador: QUARTA TURMA
- Relator: JOÃO OTÁVIO DE NORONHA
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Ementa
DIREITO PRIVADO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO
ESPECIAL. ARRENDAMENTO MERCANTIL. VRG. PRESCRIÇÃO E COMPENSAÇÃO.
DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. AUSÊNCIA DE COTEJO ANALÍTICO. SÚMULA N. 7
DO STJ. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS.
I. CASO EM EXAME
1. Embargos de declaração opostos a acórdão que conheceu do agravo
para conhecer em parte do recurso especial e negar-lhe provimento,
em razão do enfrentamento da negativa de prestação jurisdicional
(art. 1.022 do CPC), da incidência da Súmula n. 7 do STJ como óbice
ao reexame fático-probatório e do não conhecimento do dissídio por
ausência de cotejo analítico (art. 1.029, § 1º, do CPC e art. 255, §
1º, do RISTJ).
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
2. Há três questões em discussão: (i) saber se houve omissão quanto
à impugnação específica da incidência da Súmula n. 7 do STJ; (ii)
saber se houve omissão quanto à análise do dissídio jurisprudencial
pela alínea c; e (iii) saber se há contradição em relação a
precedentes recentes sobre a prescrição das contraprestações
vencidas e não pagas em contratos de arrendamento mercantil.
III. RAZÕES DE DECIDIR
3. Os embargos de declaração destinam-se a esclarecer obscuridade,
eliminar contradição, suprir omissão ou corrigir erro material
existentes no julgado.
4. Não se verifica omissão quanto ao óbice da Súmula n. 7 do STJ,
pois o acórdão embargado fundamentou a inviabilidade de reexame da
matéria fático-probatória e assentou expressamente a aplicação do
enunciado.
5. Inexiste omissão quanto ao dissídio jurisprudencial, uma vez que
a decisão embargada registrou a ausência de cotejo analítico exigido
pelos arts. 1.029, § 1º, do CPC e 255, §1º, do RISTJ, prejudicando
o conhecimento pela alínea c.
6. Não há contradição interna, porque o voto apresenta coerência
entre fundamentos e conclusão, sendo a discordância quanto à
orientação sobre prescrição questão de mérito não sanável por
embargos de declaração.
7. Descabe a multa do art. 1.026, § 2º, do CPC, ante a ausência de
intuito protelatório na oposição dos embargos.
IV. DISPOSITIVO E TESE
8. Embargos de declaração rejeitados.
Tese de julgamento: "1. Não há omissão quando o acórdão embargado
enfrenta a aplicação da Súmula n. 7 do STJ e explicita a vedação ao
reexame fático-probatório. 2. Não cabem embargos de declaração
quando o acórdão embargado analisa devidamente a demonstração do
dissídio pela alínea c e identifica a ausência de cotejo analítico.
3. Inexiste contradição quando a decisão mantém coerência entre
fundamentos e conclusão, não se confundindo inconformismo com vício
integrativo. 4. Não se aplica a multa do art. 1.026, § 2º, do CPC se
não evidenciado propósito protelatório".
Dispositivos relevantes citados: CPC, arts. 1.022, 1.026, § 2º, e
1.029, § 1º; CC, art. 206, § 5º, I; RISTJ, art. 255, § 1º.
Jurisprudência relevante citada: STJ, EDcl no AgInt no AREsp n.
893.555/SP, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, julgados em
21/8/2018; STJ, EDcl no AgRg no RE nos EDcl no AgRg nos EDcl no
AREsp n. 1.571.819/RJ, relatora Ministra Maria Thereza de Assis
Moura, Corte Especial, julgados em 25/8/2020; STJ, EDcl no AgInt nos
EAREsp n. 2.157.279/RS, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze,
Segunda Seção, julgados em 14/11/2023; STJ, Súmula n. 7.
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