Acórdão · Superior Tribunal de Justiça
AREsp 3.110.276
- Julgado em 15/06/2026 · publicado em 18/06/2026
- Órgão julgador: QUARTA TURMA
- Relator: JOÃO OTÁVIO DE NORONHA
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Ementa
DIREITO PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ARBITRAMENTO
DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS C/C COBRANÇA. APLICAÇÃO DA TEORIA DA
CAUSA MADURA, NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL, CERCEAMENTO DE
DEFESA E CONTRATO PRO BONO. AGRAVO CONHECIDO. RECURSO ESPECIAL
CONHECIDO EM PARTE E DESPROVIDO.
I. CASO EM EXAME
1. Agravo em recurso especial interposto contra decisão que
inadmitiu o recurso especial com óbices fundados na inexistência de
negativa de prestação jurisdicional (arts. 489 e 1.022 do CPC), na
possibilidade de aplicação da causa madura (art. 1.013, § 4º, do
CPC) e na vedação ao reexame de provas (Súmula n. 7 do STJ).
2. A controvérsia envolve ação de arbitramento de honorários
advocatícios c/c cobrança, com pedido de honorários contratuais de
êxito de 25% sobre precatório recebido, ou arbitramento subsidiário,
além de tutela cautelar.
3. Na sentença, o Juízo de primeiro grau acolheu a prescrição e
extinguiu o processo com resolução do mérito, nos termos do art.
487, II, do CPC, condenando ao pagamento de custas e honorários de
10% sobre o valor da causa.
4. A Corte de origem reformou a sentença para rejeitar a prescrição,
aplicou o art. 1.013, § 4º, do CPC, julgou improcedentes os pedidos
iniciais e fixou honorários sucumbenciais de 10% sobre o valor da
causa.
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
5. Há seis questões em discussão: (i) saber se houve negativa de
prestação jurisdicional por omissão, obscuridade e contradição
quanto à intempestividade da contestação e efeitos da revelia,
autenticidade de documento, causa madura e provas documentais (arts.
489 e 1.022 do CPC); (ii) saber se o julgamento pela causa madura
sem nova vista violou os arts. 3º, 7º, 9º, 10, 11 e 1.013, §§ 1º, 2º
e 3º, do CPC, por decisão surpresa; (iii) saber se houve
cerceamento de defesa quanto à exibição de documentos originais,
análise de provas testemunhais e ônus probatório (arts. 369, 371 e
373 do CPC); (iv) saber se é inviável a advocacia pro bono à luz do
art. 30, § 1º, do Código de Ética e Disciplina da OAB; (v) saber se
houve descaracterização indevida do contrato verbal de honorários de
êxito à luz do art. 54, V, do Estatuto da OAB; e (vi) saber se está
demonstrado o dissídio jurisprudencial nos termos dos arts. 1.029,
§ 1º, do CPC e 255, § 1º, do RISTJ.
III. RAZÕES DE DECIDIR
6. Não ocorreu a ofensa aos arts. 489 e 1.022 do CPC, pois o
Tribunal local enfrentou as questões relevantes de forma clara e
suficiente, inexistindo vícios aptos a nulificar o acórdão.
7. Aplica-se a Súmula n. 83 do STJ quanto ao reconhecimento da
legitimidade da aplicação da teoria da causa madura após o
afastamento da prescrição quando o feito está em condições de
imediato julgamento.
8. Incide a Súmula n. 7 do STJ para obstar o reexame de fatos e
provas relativamente ao cerceamento de defesa e à caracterização da
prestação de serviços pro bono.
9. O recurso especial não comporta análise de ofensa a resolução ou
ato normativo infralegal, como o art. 30, § 1º, do Código de Ética e
Disciplina da OAB.
10. Incide a Súmula n. 284 do STF quando a fundamentação é
deficiente e não demonstra a violação a lei federal quanto ao
contrato de êxito.
11. Não há dissídio comprovado por ausência de cópias ou repositório
oficial e de cotejo analítico com similitude fática e divergência
de interpretação (arts. 1.029, § 1º, do CPC e 255, § 1º, do RISTJ).
IV. DISPOSITIVO E TESE
12. Agravo em recurso especial conhecido para se conhecer em parte
do recurso especial e negar-lhe provimento.
Tese de julgamento: "1. Afasta-se a ofensa aos arts. 489 e 1.022 do
CPC quando o acórdão enfrenta os pontos relevantes e fundamenta de
modo suficiente, inexistindo vícios. 2. Aplica-se a Súmula n. 83 do
STJ para admitir o julgamento pela causa madura quando o Tribunal
afasta a prescrição e o feito está pronto para decisão de mérito. 3.
Incide a Súmula n. 7 do STJ para obstar o reexame de fatos e provas
relativamente ao cerceamento de defesa e à caracterização da
prestação pro bono. 4. O recurso especial não é via adequada para
análise de ofensa a resolução ou ato infralegal, como o Código de
Ética e Disciplina da OAB. 5. Incide a Súmula n. 284 do STF quando a
fundamentação é deficiente e não demonstra a violação a lei
federal. 6. Inviável o conhecimento do dissídio sem cotejo analítico
e comprovação específica, nos termos do art. 1.029, § 1º, do CPC e
art. 255, § 1º, do RISTJ."
Dispositivos relevantes citados: CPC, arts. 3º, 7º, 9º, 10, 11, 85,
§ 11, 369, 371, 373, 487, II, 1.013, § 4º, e 1.029, § 1º; RISTJ,
art. 255, § 1º; Estatuto da OAB, art. 54, V; Código de Ética e
Disciplina da OAB, art. 30, § 1º.
Jurisprudência relevante citada: STJ, Súmulas n. 7 e 83; STF, Súmula
n. 284; STJ, REsp n. 2.166.999/DF, relatora Ministra Nancy
Andrighi, Terceira Turma, julgado em 20/3/2025; STJ, EDcl no AgInt
no REsp n. 1.925.562/SP, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma,
julgados em 17/3/2025; STJ, AgInt no REsp n. 2.152.327/MG, relator
Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, julgado em 24/2/2025; STJ,
AgInt no AREsp n. 2.296.450/DF, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta
Turma, julgado em 28/8/2023; STJ, AREsp n. 2.487.285/SC, relator
Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, julgado em 17/11/2025; STJ,
AREsp n. 2.992.448/SP, relatora Ministra Daniela Teixeira, Terceira
Turma, julgado em 3/11/2025.
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