Acórdão · Superior Tribunal de Justiça
AREsp 3.063.500
- Julgado em 16/03/2026 · publicado em 23/03/2026
- Órgão julgador: QUARTA TURMA
- Relator: RAUL ARAÚJO
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Ementa
DIREITO CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. FINANCIAMENTO
HABITACIONAL. ATRASO NA ENTREGA DE OBRA. RESCISÃO CONTRATUAL. JUROS
DE OBRA. DANOS MATERIAIS E MORAIS. RECURSO DESPROVIDO.
1. O Tribunal
de origem apreciou fundamentadamente todas as questões relevantes
para a solução da lide, não havendo omissão, contradição ou
obscuridade no acórdão recorrido. A alegação de omissão foi
considerada genérica e não demonstrou efetivamente os pontos
omissos, atraindo a incidência da Súmula n. 284 do STF.
2. A
cláusula contratual relativa ao prazo para conclusão e entrega da
obra foi considerada clara e válida, atendendo às exigências do art.
54, §§ 3º e 4º, do Código de Defesa do Consumidor. A prorrogação do
prazo de entrega foi justificada pela ocorrência de caso fortuito de
origem judicial, consistente na suspensão das obras por decisão
liminar em ação civil pública.
3. O atraso na entrega das chaves foi
exíguo e decorreu de caso fortuito, não configurando causa para a
rescisão contratual.
4. O atraso na entrega do imóvel não
ultrapassou o limite de seis meses após a data reprogramada, sendo
insuficiente para caracterizar dano moral indenizável, conforme
jurisprudência do STJ, que exige comprovação de circunstâncias
excepcionais para configurar lesão extrapatrimonial.
5. A revisão
das conclusões do Tribunal de origem sobre a clareza das cláusulas
contratuais, a ocorrência de caso fortuito ou força maior, e a
inexistência de dano moral , demandaria reexame de matéria
fático-probatória e interpretação de cláusulas contratuais, o que
encontra óbice nas Súmulas 5 e 7 do STJ.
6. Agravo conhecido e
recurso especial desprovido.
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