Acórdão · Superior Tribunal de Justiça
AREsp 2.750.362
- Julgado em 09/03/2026 · publicado em 12/03/2026
- Órgão julgador: QUARTA TURMA
- Relator: JOÃO OTÁVIO DE NORONHA
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Ementa
DIREITO PRIVADO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PLANO DE SAÚDE
COBERTURA DE EXAME PET-CT ONCOLÓGICO ROL DA ANS. PRESCRITO EM
TRATAMENTO DE CÂNCER E IRRELEVÂNCIA DA NATUREZA DO ROL. AGRAVO EM
RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO.
I. CASO EM EXAME
1. Agravo em recurso especial contra decisão que inadmitiu o recurso
especial por ausência de demonstração de violação dos arts. 10, §
4º, e 35-F, da Lei n. 9.656/1998; 4º, III, da Lei n. 9.961/2000; 51,
IV, § 1º, II, e 54, § 4º, do CDC, e pela incidência das Súmulas n.
5 e 7 do STJ.
2. A controvérsia versa sobre ação cominatória c/c tutela antecipada
e ressarcimento de valores pagos, buscando cobertura de exame
PET-CT oncológico e ressarcimento de despesas já realizadas.
3. Na sentença, o Juízo de primeiro grau julgou procedente o pedido,
responsabilizou a operadora pelo custeio do PET-CT e condenou ao
ressarcimento de R$ 8.800,00 com correção e juros, fixando
honorários de 10% do valor da condenação.
4. A Corte de origem manteve integralmente a sentença, majorando os
honorários.
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
5. Há duas questões em discussão: (i) saber se o acórdão afastou a
obrigatoriedade do rol da ANS e dos limites contratuais, impondo
cobertura ao PET-CT fora da Diretriz de Utilização n. 60 do Anexo II
da Resolução n. 465/2021; e (ii) saber se a cláusula limitativa de
cobertura, redigida com destaque em contrato de adesão, é válida à
luz dos arts. 51, IV, § 1º, II, e 54, § 4º, do CDC.
III. RAZÕES DE DECIDIR
6. O acórdão está alinhado à jurisprudência desta Corte de que, em
tratamento oncológico, é devido o custeio de exames, procedimentos e
medicamentos prescritos, sendo desinfluente a natureza do rol da
ANS quando demonstradas imprescindibilidade clínica e evidência
científica, aplicando-se a Súmula n. 83 do STJ.
7. Rever as premissas fático-probatórias fixadas pelo Tribunal de
origem sobre prescrição médica e a adequação clínica do PET-CT
demandaria reexame de provas, o que atrai a incidência da Súmula n.
7 do STJ.
8. A alegação fundada em diretrizes e resoluções da ANS envolve atos
normativos secundários, matéria estranha ao recurso especial, que
se limita à interpretação de lei federal.
IV. DISPOSITIVO E TESE
9. Agravo em recurso especial desprovido.
Tese de julgamento: "1. Aplica-se a Súmula n. 83 do STJ quando o
acórdão recorrido está em consonância com a jurisprudência que impõe
o custeio de exames oncológicos prescritos, sendo desinfluente a
natureza do rol da ANS. 2. Incide a Súmula n. 7 do STJ para obstar o
revolvimento do conjunto fático-probatório sobre a
imprescindibilidade clínica do PET-CT. 3. O recurso especial não é
via adequada para discutir violação de atos normativos secundários
da ANS".
Dispositivos relevantes citados: Lei n. 9.656/1998, arts. 10 § 4º e
35-F; Lei n. 9.961/2000, art. 4º, III; CDC, arts. 51, IV, § 1º, II,
e 54, § 4º; CPC, art. 85, §§11 e 2º.
Jurisprudência relevante citada: STJ, Súmulas n. 83 e 7; STJ, AgInt
no REsp n. 2.111.679/SP, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze,
Terceira Turma, julgado em 3/6/2024; STJ, AgInt no REsp n.
2.154.425/SP, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma,
julgado em 24/3/2025; STJ, AgInt no AREsp n. 2.297.224/RJ, relator
Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, julgado em 28/8/2023; STJ, AgInt
no REsp n. 2.099.007/PE, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira
Turma, julgado em 11/12/2023; STJ, AgInt no AREsp n. 993.087/SP,
relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, julgado em 26/11/2019.
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