Acórdão · Superior Tribunal de Justiça
AREsp 2.747.097
- Julgado em 15/06/2026 · publicado em 18/06/2026
- Órgão julgador: QUARTA TURMA
- Relator: JOÃO OTÁVIO DE NORONHA
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Ementa
DIREITO PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM
RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE COBRANÇA DE TAXAS CONDOMINIAIS. OMISSÃO.
CONTRADIÇÃO. OBSCURIDADE. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS.
I. CASO EM EXAME
1. Embargos de declaração opostos a acórdão que conheceu do agravo
em recurso especial para conhecer em parte do recurso especial e
negar-lhe provimento, em razão da incidência de óbice de reexame de
provas, da consonância jurisprudencial, da deficiência de
fundamentação, da ausência de impugnação de fundamento autônomo e da
aplicação do Tema 1076/STJ e do art. 85, § 11, do CPC.
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
2. Há sete questões em discussão: (i) saber se há contradição ao
afastar a negativa de prestação jurisdicional e, simultaneamente,
não examinar o núcleo da controvérsia por óbice de reexame
fático-probatório; (ii) saber se há contradição ao reconhecer vício
na base de cálculo e manter a higidez do título sem definição do
quantum debeatur; (iii) saber se há omissão quanto à definição do
conteúdo econômico da condenação; (iv) saber se há omissão sobre a
validade do título executivo judicial à luz dos arts. 203, § 1º,
489, § 1º, IV e VI, e 515, do CPC; (v) saber se há omissão quanto à
necessidade de afastamento do óbice de reexame por se tratar de
questão de direito; (vi) saber se há obscuridade sobre o conteúdo da
condenação e a dependência de apuração na execução; e (vii) saber
se há erro de enquadramento jurídico a demandar efeitos
infringentes.
III. RAZÕES DE DECIDIR
3. Os embargos de declaração destinam-se a esclarecer obscuridade,
eliminar contradição, suprir omissão ou corrigir erro material
existentes no julgado.
4. Não se configura contradição, pois o acórdão embargado enfrentou
adequadamente as questões relevantes e justificou a impossibilidade
de reexame fático-probatório.
5. Inexiste omissão quanto ao quantum debeatur e à validade do
título, porque a decisão fixou condenação às parcelas vencidas e
vincendas com consectários e remeteu ao cumprimento de sentença a
apuração do montante e abatimentos.
6. Não há obscuridade, já que o conteúdo da condenação foi
explicitado, cabendo a apuração por cálculo na fase executiva.
IV. DISPOSITIVO E TESE
7. Embargos de declaração rejeitados.
Tese de julgamento: "1. Não há contradição quando o acórdão
embargado enfrenta adequadamente as questões e fundamenta a
inviabilidade de reexame fático-probatório. 2. Inexiste omissão
quando o título executivo judicial estabelece a condenação e remete
a quantificação ao cumprimento de sentença. 3. Não se caracteriza
obscuridade quando a decisão define o conteúdo da condenação e
indica a via adequada para a apuração do valor."
Dispositivos relevantes citados: CPC, arts. 1.022, 203, § 1º, 489, §
1º, IV e VI, e 515; CC, arts. 401 e 940; CF, art. 93, IX.
Jurisprudência relevante citada: STJ, EDcl no AgRg no RE nos EDcl no
AgRg nos EDcl no AREsp n. 1.571.819/RJ, relatora Ministra Maria
Thereza de Assis Moura, Corte Especial, julgados em 25/8/2020; STF,
Súmulas n. 283 e 284; STJ, Súmulas n. 7 e 83.
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