Acórdão · Superior Tribunal de Justiça
AgInt no RMS 75.828
- Julgado em 24/06/2026 · publicado em 30/06/2026
- Órgão julgador: SEGUNDA TURMA
- Relator: MARCO AURÉLIO BELLIZZE
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Ementa
AGRAVO INTERNO NO RECURSO EM MANDADO DE SEGURANÇA. ADMINISTRATIVO.
CONCURSO PÚBLICO. CANDIDATO APROVADO FORA DO NÚMERO DE VAGAS.
CONVOCAÇÃO DE EXCEDENTES E DESISTÊNCIA DE CONVOCADOS EM NÚMERO
SUFICIENTE PARA ALCANÇAR A CLASSIFICAÇÃO DO RECORRENTE. COMPROVAÇÃO
DO SURGIMENTO DE VAGAS E NECESSIDADE INEQUÍVOCA DE PREENCHIMENTO
PELA ADMINISTRAÇÃO. CONVOLAÇÃO DA EXPECTATIVA DE DIREITO EM DIREITO
SUBJETIVO À NOMEAÇÃO. TEMA 784 DA REPERCUSSÃO GERAL DO STF. AGRAVO
INTERNO DESPROVIDO.
1. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Tema 784 da
Repercussão Geral, fixou a tese de que o surgimento de novas vagas
ou a abertura de novo certame não gera, por si só, direito
automático à nomeação para candidatos aprovados fora das vagas.
Todavia, a expectativa de direito se convolará em direito subjetivo
quando demonstrada, de forma cabal, a preterição arbitrária e
imotivada por comportamento do Poder Público evidenciando a
necessidade de preenchimento dos cargos.
2. No caso concreto, ficou evidenciada a publicação do Edital de
Convocação n. 14/2023 voltado à apresentação de documentos de
candidatos excedentes, justificado pela "necessidade urgente de
preenchimento de cargos", pela existência de vagas e de
disponibilidade orçamentária. Esse ato demonstra, de forma
inconteste, a necessidade de serviço e a disponibilidade
orçamentária da Administração.
3. Com as desistências e reposicionamentos de final de fila entre os
convocados pela Administração, a lista classificatória alcançou a
classificação do recorrente. A jurisprudência pacífica do STJ
orienta que a desistência de candidatos melhor classificados, em
número suficiente para atingir a classificação do subsequente,
convola a mera expectativa de direito em direito subjetivo à
nomeação.
4. O argumento de que o edital consistiu em mera convocação
documental preparatória não afasta o direito líquido e certo. Da
mesma forma, a alegação de insuficiência de tempo hábil para
processamento da convocação subsequente antes da expiração da
eficácia do certame é insubsistente, dado o intervalo de 89 dias
entre o chamamento e o término do prazo de validade do concurso,
período superior ao necessário para o trâmite de manifestação dos
convocados, fixado em Lei e no Edital.
5. Agravo interno a que se nega provimento.
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