Acórdão · Superior Tribunal de Justiça
AgInt no REsp 2.249.305
- Julgado em 30/06/2026 · publicado em 03/07/2026
- Órgão julgador: QUARTA TURMA
- Relator: LUÍS CARLOS GAMBOGI (DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TJMG)
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Ementa
DIREITO CIVIL E DO CONSUMIDOR. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL.
PLANO DE SAÚDE COLETIVO EMPRESARIAL. RESCISÃO CONTRATUAL. CLÁUSULA
DE FIDELIDADE DE 12 (DOZE) MESES. MULTA RESCISÓRIA. ALEGADA OFENSA
AOS ARTS. 421 E 422 DO CÓDIGO CIVIL. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO.
SÚMULAS 282 E 356 DO STF. INTERPRETAÇÃO DE ATOS NORMATIVOS DA ANS.
FUNDAMENTO AUTÔNOMO NÃO IMPUGNADO. REVOLVIMENTO DO ACERVO
FÁTICO-PROBATÓRIO. SÚMULA 7/STJ. TESE DE AVISO PRÉVIO. INOVAÇÃO
RECURSAL RECONHECIDA NA ORIGEM. SÚMULA 282/STF. DISSÍDIO
JURISPRUDENCIAL. AUSÊNCIA DE COTEJO ANALÍTICO. AGRAVO INTERNO
DESPROVIDO.
I. CASO EM EXAME
1. Agravo interno interposto contra decisão monocrática que não
conheceu de recurso especial, fundado na alegação de validade da
cláusula contratual que impõe multa rescisória em caso de
cancelamento de plano de saúde coletivo empresarial antes do decurso
do período de fidelidade de 12 (doze) meses. A insurgente aponta
violação aos arts. 421 e 422 do Código Civil e ao art. 23 da
Resolução Normativa nº 557/2022 da ANS.
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
2. Examina-se se a controvérsia recursal comporta conhecimento à luz
dos óbices fundados: (i) na ausência de prequestionamento dos
dispositivos federais apontados; (ii) na natureza infralegal das
resoluções da ANS; (iii) na incidência da Súmula 7/STJ; (iv) no
reconhecimento de inovação recursal quanto à tese de aviso prévio; e
(v) na deficiência do cotejo analítico exigido pela alínea "c" do
permissivo constitucional.
III. RAZÕES DE DECIDIR
3. As razões do agravo interno não enfrentam o fundamento autônomo
da decisão monocrática segundo o qual o exame da matéria demandaria
a interpretação de atos normativos infralegais expedidos pela ANS,
providência inviável em recurso especial por não se enquadrarem tais
atos no conceito de lei federal previsto no art. 105, III, "a", da
Constituição Federal.
4. O conteúdo normativo dos arts. 421 e 422 do Código Civil não foi
objeto de exame no acórdão recorrido, tampouco foram opostos
embargos de declaração pela ora insurgente a fim de sanar omissão ou
prequestionar a matéria, incidindo o óbice das Súmulas 282 e 356 do
STF. A recorrente também não suscitou ofensa ao art. 1.022 do CPC,
o que inviabiliza a invocação do prequestionamento ficto previsto no
art. 1.025 do CPC.
5. A análise do alcance da decisão proferida na Ação Civil Pública
nº 0136265-83.2013.4.02.5101, da evolução normativa das resoluções
da ANS e das circunstâncias específicas da contratação demandaria o
revolvimento do acervo fático-probatório dos autos, providência
vedada na via do recurso especial, nos termos da Súmula 7/STJ.
6. A tese de validade da cláusula de aviso prévio de 60 (sessenta)
dias não foi conhecida pelo Tribunal a quo por configurar inovação
recursal, circunstância que afasta o prequestionamento e atrai o
óbice da Súmula 282/STF, fundamento autônomo não impugnado pela
agravante.
7. A insurgência pela alínea "c" do permissivo constitucional carece
de cotejo analítico nos moldes exigidos pelos arts. 1.029, § 1º, do
CPC e 255 do RISTJ.
IV. DISPOSITIVO
8. Agravo interno desprovido.
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