Acórdão · Superior Tribunal de Justiça
AgInt no AREsp 3.145.428
- Julgado em 30/06/2026 · publicado em 30/07/2026
- Órgão julgador: QUARTA TURMA
- Relator: RAUL ARAÚJO
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Ementa
AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE RESOLUÇÃO DE
CONTRATOS DE COMPROMISSO DE COMPRA E VENDA DE LOTES RURAIS CUMULADA
COM INDENIZAÇÃO. EMPREENDIMENTO GREEN DIAMOND RESIDENCE. RECURSO
ESPECIAL INADMITIDO NA ORIGEM. DECISÃO MONOCRÁTICA QUE NEGOU
PROVIMENTO AO AGRAVO. PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA QUANTO A PARTE DOS
DISPOSITIVOS INVOCADOS. SÚMULAS 282 E 356/STF E 211/STJ. NEGATIVA
DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL NÃO CONFIGURADA. CERCEAMENTO DE DEFESA.
CHEQUES JUNTADOS NAS ALEGAÇÕES FINAIS. TRIBUNAL DE ORIGEM QUE
RECONHECEU A INSUFICIÊNCIA DOS DOCUMENTOS E A AUSÊNCIA DE
CONTRADITÓRIO NA FASE PROBATÓRIA. REVISÃO INVIÁVEL. SÚMULA 7/STJ.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DA FAMÍLIA PELISSON E DA PESSOA JURÍDICA
POR ELA CONSTITUÍDA. FUNDAMENTOS FÁTICO-PROBATÓRIOS E CONTRATUAIS.
SÚMULAS 5 E 7/STJ. RESPONSABILIDADE DE MARISTELA. MATÉRIA
CONSIDERADA ESTRANHA AO OBJETO DA LIDE. FUNDAMENTO AUTÔNOMO NÃO
SUPERADO. SÚMULA 283/STF. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. AUSÊNCIA DE
SIMILITUDE FÁTICA. ÓBICE DA SÚMULA 7/STJ QUE TAMBÉM IMPEDE O
CONHECIMENTO PELA ALÍNEA C. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO.
1. A decisão monocrática agravada negou provimento ao agravo em
recurso especial porque parte das teses recursais não foi
prequestionada, uma vez que não se configurou negativa de prestação
jurisdicional e porque a revisão das conclusões do Tribunal de
origem exigiria reinterpretação contratual e reexame do acervo
fático-probatório.
2. O agravo interno não demonstra equívoco concreto na aplicação das
Súmulas 282 e 356/STF e 211/STJ, pois não houve pronunciamento
específico do Tribunal de origem sobre o conteúdo normativo dos
arts. 505, 98 e 99 do CPC, nem foi adequadamente demonstrada a
hipótese de prequestionamento ficto quanto a esses pontos.
3. Não há violação aos arts. 489 e 1.022 do CPC quando o Tribunal de
origem enfrenta as questões relevantes à solução da controvérsia,
ainda que em sentido contrário ao interesse da parte, sendo
desnecessária a refutação individualizada de todos os argumentos
deduzidos.
4. A tese de cerceamento de defesa, fundada na juntada de cheques em
alegações finais, não prospera, pois o Tribunal estadual examinou a
questão e concluiu que os documentos não comprovavam, por si sós, a
narrativa inicial, além de não terem sido submetidos ao
contraditório no momento oportuno da fase probatória. Rever essa
conclusão demandaria reexame de prova, providência vedada pela
Súmula 7/STJ.
5. A responsabilidade solidária da família Pelisson e da sociedade
Pelisson & Cia. foi afastada pelo Tribunal de origem com base na
ausência de participação efetiva na comercialização dos lotes, na
inexistência de benefício econômico e na interpretação do
instrumento de parceria, de modo que a revisão do julgado encontra
óbice nas Súmulas 5 e 7/STJ.
6. A responsabilidade de Maristela foi afastada porque o Tribunal
estadual delimitou o objeto litigioso aos compromissos de compra e
venda e cessões de direitos anuídas pela incorporadora, reputando
estranha à lide a escritura pública de permuta invocada pelos
recorrentes. Tal fundamento autônomo não foi superado de modo
eficaz, incidindo a Súmula 283/STF.
7. O dissídio jurisprudencial não foi demonstrado por cotejo
analítico apto, não havendo similitude fática entre os paradigmas
invocados e o caso concreto. Além disso, a incidência da Súmula
7/STJ impede o conhecimento do recurso especial também pela alínea c
do permissivo constitucional.
8. Agravo interno desprovido.
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