Acórdão · Superior Tribunal de Justiça
AgInt no AREsp 3.051.010
- Julgado em 24/08/2026 · publicado em 27/08/2026
- Órgão julgador: TERCEIRA TURMA
- Relator: HUMBERTO MARTINS
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Ementa
DIREITO CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM
RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER C/C INDENIZAÇÃO. PLANO
DE SAÚDE COLETIVO. CANCELAMENTO INDEVIDO. PANDEMIA DA COVID-19.
FALECIMENTO DA AUTORA. DANOS MORAIS. CONFIGURAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ART.
1.022 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. REEXAME FÁTICO-PROBATÓRIO. INCIDÊNCIA
DA SÚMULA 7/STJ.
1. Inexiste ofensa ao art. 1.022 do CPC quando o Tribunal de origem
pronuncia-se de forma clara e suficiente sobre a controvérsia,
demonstrando as razões de seu convencimento, não havendo omissão,
contradição ou obscuridade a ser sanada.
2. A jurisprudência desta Corte Superior firmou-se no sentido de
que, embora o mero inadimplemento contratual não gere danos morais
in re ipsa, a recusa indevida ou o cancelamento injustificado de
plano de saúde em momentos de extrema fragilidade física e
psicológica do segurado - mormente em situação de urgência médica ou
gravidade - ultrapassa o mero dissabor, ensejando a reparação
extrapatrimonial.
3. O acolhimento da pretensão recursal, no sentido de afastar a
condenação por danos morais sob o argumento de que o atendimento da
paciente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) suprimiu o nexo causal ou
o abalo psíquico provocado pela desassistência da operadora ré,
demandaria, inevitavelmente, o reexame do acervo fático-probatório
dos autos, procedimento que encontra óbice na Súmula 7/STJ.
Agravo interno improvido.
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